Festa do Divino muda tradição em tempos de pandemia

Maior e mais importante tradição cultural e religiosa do município de Brotas de Macaúbas, a Festa do Divino Espírito Santo, começa nesta sexta-feira, 14 de maio, em formato diferente por causa da pandemia da Covid 19. A Fincada do Mastro dá início aos festejos, seguido da primeira novena com a igreja seguindo todos os protocolos de distanciamento.
Pelo segundo ano consecutivo, essa que é uma das mais importantes festas religiosas e uma das mais antigas não se repetirá com pompa e circunstância tradicionais, por causa do coronavírus. Tanto o Imperador Dilson Almondes como a Capitã do Mastro Alzerina Lima ficaram impedidos não apenas de “correr a freguesia, visitando os morador”, como diz a estrofe da Ladainha das Esmolas, como promover outras atividades, para evitar aglomeração.

Novenas e leilões
Em 2021, a Festa do Divino, ou Pentecostes como diz a liturgia Católica, será nos dias 22 e 23 de maio. No sábado, 22, com a Cavalaria – chegada do Imperador com a Bandeira – e 23, com a missa solene, procissão e escolha dos novos comandantes da festa. O evento que começa neste dia 14 de maio terá novenas e apenas um dia de leilões. A Missa solene do domingo de Pentecostes será celebrada na presença de poucos fiéis.
Este ano, também não haverá a Cavalaria, que marca a entrada triunfal da Bandeira do Divino na sede da Paróquia, trazida pelo Imperador e pela Capitã e seguida por centenas de cavaleiros pelas ruas da cidade até a Igreja Matriz.
Ritual açoriano
Todo esse ritual remonta há mais de dois séculos e foi trazido que foi pelos primeiros desbravadores e garimpeiros cujas origens estão no Arquipélago de Açores, onde o Divino Espírito Santo tem características semelhantes às de nosso município.
Três celebrações
Depois de percorrer quase todo o município – hoje a Festa do Divino acontece de forma independente da Igreja Matriz com celebrações, além de Brotas, em duas outras duas comunidades que têm Imperadores e Capitães distintos (Novo Horizonte e Cocal, esta como sede de uma pré-Paróquia).

Tradição bicentenária
Em Brotas de Macaúbas, o povo guarda essa devoção ao Dia de Pentecostes há mais de dois séculos, desde que os primeiros descendentes de portugueses açorianos chegaram à região, atraídos pelos diamantes, ouro e outras pedras preciosas que brotavam fartos do chão cheio de dádivas. Não se sabe ao certo a origem da devoção no município, mas a mais antiga capela em louvor ao Divino fica na comunidade de Minas do Espírito Santo, que hoje pertence ao município de Barra do Mendes, desanexado de Brotas em 1958.
O mais provável é que os garimpeiros trouxeram a devoção no final século XVII. Em nossa região, a devoção cresceu principalmente entre as famílias Barreto, Rosa, Novais, Araújo, Farias, Fernandes, Espírito Santo, Ferro, Oliveira, Campos, Ribeiro, Martins, Sodré e outras tantas, espalhando-se por toda a região.
Esmolas
A Festa de Pentecostes dura 50 dias de celebrações. Primeiro, o Imperador e a Capitã vão de casa em casa, levando a bandeira do Divino na tradicional Ladainha das Esmolas, arrecadando donativos para a realização dos festejos. Em cada lugar há muitas demonstrações de fé e a emoção sempre é o ponto alto da passagem da Bandeira Sagrada. São momentos especiais de encontro das pessoas que retornam às suas comunidades de origem para o reencontro com familiares e amigos.

LADAINHA DAS ESMOLAS

É chegada em vossa casa
Uma formosa bandeira (bis)
E nela vem retratada
Uma pomba verdadeira (bis)

Divino Espírito Santo
Em vossa morada entrou (bis)
Vem correndo a freguesia
Visitando os morador (bis)

Essa pomba que aqui vem
É de Deus muito louvada (bis)
São as mesmas três pessoas
Da Santíssima Trindade (bis)

Vem pedindo a sua esmola
Que muito carece dela (bis)
Para serem festejadas
Dentro de sua capela (bis)

Divino Espírito Santo
Dono do Sol que nos cobre (bis)
Ele é dono do tesouro
Pede esmola como pobre (bis)

Ele pede é por pedir
Mas não é por carecer (bis)
Pede para experimentar
Quem seu devoto quer ser (bis)

Divino Espírito Santo
Divino consolador (bis)
Consolai as nossas almas
Quando desse mundo for (bis)

Quem se benze com a bandeira
Desse Divino Senhor (bis)
Benze Deus na sua graça
Dentro do seu resplendor (bis)

Quem dá esmola a esse santo
Não repara o que vai dar (bis)
Seja dez reais ou vinte
Fica mil em seu lugar (bis)

Deus lhe pague a esmola
Deus lhe dê muita saúde (bis)
A esmola é caridade
A caridade é virtude (bis)

Deus lhe pague a esmola
Se vos derem com grandeza (bis)
Deus permita que por ela
No reino do céus se veja (bis)